Dificuldades do transporte coletivo são tema de audiência pública

Em 08/11/2017
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Melhorar a qualidade e democratizar os processos de gestão. Esses foram alguns pedidos apresentados durante a audiência pública que discutiu a situação do transporte público em Pernambuco. O evento foi promovido pela Comissão de Negócios Municipais, nessa quarta.
Camila Fernandes, da Rede Meu Recife, cobrou maior transparência nos dados sobre o teor dos contratos com as empresas que exploram o serviço e sobre a composição do preços das passagens. “Atualmente, o cidadão paga por basicamente toda a estrutura do transporte público. E a gente não acha que seja justo com a população, seja ela técnica ou não, que o único acesso que a gente tenha a dados seja uma planilha com dados insuficientes para que a gente entenda, de fato, pelo quê está pagando”.

Viagens fantasmas, quando a saída do terminal é registrada mas não acontece, e a pouca quantidade de ônibus nas linhas foram denunciadas pelo diretor do Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco, Genildo Pereira. Ele também reclamou das más condições de trabalho para motoristas e cobradores. Getúlio Basílio, do Sindicato dos Metroviários, disse que a situação do Metrô do Recife não é menos precária. O aumento do número de usuários, de 200 mil para 400 mil por dia com a ampliação do Sistema Integrado de Passageiros, não veio acompanhado de investimentos. Diogo Moraes, da CBTU, disse que a tarifa de um real e sessenta centavos, congelada há cinco anos, cobre menos de 20% do custo operacional, o resto é subsidiado pelo Governo Federal. Ele informou que a empresa está movendo uma ação contra o Grande Recife Consórcio pela falta de repasse de 62 milhões de reais em passagens do sistema integrado.


O gerente de Planejamento Estratégico do  Grande Recife Consórcio, Cícero Monteiro, garantiu que a política do órgão é fornecer os dados solicitados via Lei da Transparência e que levará as queixas apresentadas às instâncias políticas. Ele defendeu a impossibilidade de alcançar 100% de satisfação num serviço que atende dois milhões de usuários por dia, e que está sujeito a fatores externos, como a crise econômica. “A gente perdeu, ao longo desses últimos anos, algo em torno de 10% de usuários do sistema e isso impacta profundamente, porque a relação é uma relação inevitável de custo, ainda que o Estado tenha entrado com um aporte financeiro, via subsídio, muito importante”.

Representante da Frente de Luta pelo Transporte, Raissa Rabelo sugeriu a criação de uma CPI na Alepe sobre o transporte público. A sugestão foi acatada pela autora do requerimento para realizar a audiência, deputada Teresa Leitão, do PT. “Eu acho que tem conteúdo sim para fazer algumas investigações de muita coisa, e eu acho que a gente tem condições de , como membro do conselho que a Assembleia é, produzir também alguma coisa que possa melhorar a vida de quem usa transporte público no estado”.

Usuários presentes a audiência também reclamaram da disparidade do valor das passagens dos diferentes anéis em relação ao tamanho das viagens e pediram a regularização do serviço inteligente de monitoramento dos coletivos.